“Eu tinha medo de parecer normal”: ex-Miss Bumbum relata obsessão com aparência em relacionamentos

“Eu dormia maquiada porque não queria decepcionar a pessoa quando acordasse”, afirma Rosana Ferreira

Legenda: do lado esquerdo, Rosana Ferreira sendo maquiada. Do lado direito, sem maquiagem.

A influenciadora e ex-Miss Bumbum Rosana Ferreira, de 39 anos, afirmou que precisou procurar terapia após desenvolver uma obsessão com a própria aparência durante os primeiros meses de alguns relacionamentos. Segundo ela, o medo de ser vista sem maquiagem e não gostar do que via no espelho fez com que passasse a dormir maquiada, acordar mais cedo para retocar o rosto escondida e viver uma pressão constante para manter a aparência que mostrava no início das relações.

Rosana afirma que a relação com a própria imagem começou a mudar conforme passou a trabalhar com concursos de beleza, sensualidade e exposição do corpo na internet. Segundo ela, a pressão para estar sempre produzida acabou criando uma necessidade constante de se sentir bonita e desejada dentro dos relacionamentos. “Eu acho que trabalhar tantos anos com a imagem e com o corpo fez eu acreditar que precisava estar sempre maquiada, sempre bonita e sempre desejada. Com o tempo, eu já não conseguia mais me enxergar de outra forma”, relata.

Segundo Rosana, os primeiros meses dos relacionamentos eram os períodos em que essa pressão estética ficava mais intensa, principalmente pela preocupação constante em manter a mesma aparência do início das relações. “Teve relacionamento em que eu acordava antes da pessoa só para ir ao banheiro retocar maquiagem e tentar manter a mesma imagem da noite anterior. Ao mesmo tempo, também existia uma obsessão com o corpo, com cabelo, com roupa e com a necessidade de parecer bonita o tempo inteiro. Foi algo que precisei tratar em terapia para conseguir me aceitar de forma mais natural”, afirma.

Hoje, Rosana afirma que consegue enxergar aquele período como reflexo da dificuldade que tinha de aceitar a própria aparência sem maquiagem, algo que acabou sendo tratado ao longo de quase sete meses de terapia após receber o diagnóstico de dismorfia corporal. Segundo ela, o processo ajudou não apenas na forma como passou a enxergar a própria aparência, mas também na maneira de se relacionar emocionalmente com outras pessoas. “Eu percebi que não era só maquiagem. Existia um medo constante de não ser aceita da forma mais natural possível. A terapia me ajudou a entender que eu não precisava viver o tempo inteiro tentando sustentar uma versão impossível de mim mesma”, conclui.