Renata Fornari fala sobre ser “Dona de Si” e a coragem de abandonar armaduras; visagista Mari Borges explica por que o corte pixie reforça identidade e presença
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Ao surgir com os fios curtíssimos, Bella Campos deu pistas de que a mudança vai além do espelho. “Aquele livro da Viola Davis: Em busca de mim. Sei lá, tô aqui tecendo as tramas dessa vida, me desprendendo dos meus medos, de desejos que nunca foram realmente meus, feliz”, escreveu a atriz, em tom de recomeço.
Para Renata Fornari, especialista em autoamor e autodesenvolvimento, movimentos como esse costumam vir acompanhados de decisões internas importantes. “Ser ‘Dona de Si’ é quando você deixa de negociar sua essência para caber em expectativas externas. Muitas mulheres percebem, nesse processo, que vestiram ‘armaduras’ para se proteger de padrões, papéis, até versões de si mesmas que já não fazem sentido. O ponto de virada é quando elas escolhem se despir disso com consciência”, afirma.
Renata vê esse tipo de transformação como a libertação da armadura da sabotadora. “É quando a pessoa quer avançar, mas teme que dar certo custe algo importante, como amor, pertencimento ou liberdade. Para evitar essa dor, interrompe o caminho antes do fim, até perceber que a verdadeira felicidade não está em se proteger, mas em se permitir viver por inteiro”, finaliza a especialista.
No campo da imagem, a escolha de Bella dialoga com o chamado corte pixie , versátil e cheio de personalidade. A visagista e terapeuta capilar Mari Borges explica que o estilo pode valorizar diferentes formatos de rosto quando bem adaptado. “Rostos ovais costumam se adaptar com facilidade ao pixie, mas isso não significa que outros formatos não possam usar. Rostos redondos, por exemplo, ficam mais harmônicos quando o corte tem topo levemente alongado”, diz.
Para rostos quadrados, Mari recomenda “desfiados e movimento para suavizar os traços”, enquanto rostos alongados ganham equilíbrio com “franjas ou laterais um pouco mais cheias”. O tipo de fio também entra na conta. “Cabelos finos se beneficiam de um pixie com camadas estratégicas. Fios grossos precisam de controle e direcionamento, evitando um corte muito armado. Já cabelos ondulados ou com leve textura natural ficam incríveis com versões mais desconectadas e modernas do pixie”, detalha.
Mais do que tendência, o corte conversa com identidade. “Ele combina com quem gosta de um visual marcante, moderno e autêntico. Não é sobre ser ousada, mas sobre se reconhecer no espelho e se sentir segura com um corte que chama atenção para o rosto”, completa a especialista.
No fim, a transformação de Bella parece seguir essa lógica: menos sobre impacto imediato, mais sobre coerência interna. “Um pixie bem-sucedido é sempre personalizado. Um bom profissional avalia proporções, textura, volume e estilo pessoal antes de indicar o corte, garantindo que ele valorize seus traços e sua imagem”, finaliza Mari.
Entre fios que caem e novas versões que surgem, o gesto ecoa um recado direto: assumir a própria narrativa também passa por aquilo que se escolhe mostrar ao mundo.