Especialistas destacam que equilíbrio emocional, sono e suporte psicológico são decisivos para o desempenho em campo
A pressão de disputar uma Copa do Mundo vai muito além do desempenho físico. Em um dos maiores eventos esportivos do planeta, os atletas convivem diariamente com a cobrança da torcida, exposição nas redes sociais, expectativa da imprensa e a necessidade de manter alta performance em um curto espaço de tempo. Nesse cenário, a saúde mental se tornou peça-chave dentro das seleções.
Casos recentes, como o do jogador Philippe Coutinho, demonstram a importância do cuidado com a saúde mental no esporte de alto rendimento. No início do ano, o atleta deixou o Vasco da Gama e publicou uma carta afirmando enfrentar um “cansaço mental extremo”, além de destacar a decisão de priorizar a família e o próprio bem-estar. Situações como essa reforçam a necessidade de suporte psicológico adequado no dia a dia dos jogadores, especialmente durante competições de grande pressão, como campeonatos mundiais.
Segundo Lucas de Andrade, psicólogo formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e especialista em Neuropsicologia Clínica, o aspecto emocional impacta diretamente o rendimento dos atletas durante grandes competições.
“Em uma competição como a Copa do Mundo, a saúde mental não é um aspecto paralelo ao desempenho: ela faz parte do próprio desempenho. O atleta precisa sustentar atenção, tomar decisões rápidas, regular emoções intensas e manter precisão técnica sob pressão extrema”, afirma Andrade, que atua como responsável técnico na Valor do Conhecimento.
A pressão externa também pode afetar a confiança, a concentração e a tomada de decisão dos jogadores. “O excesso de cobrança pode aumentar a autocobrança, o medo de errar e a hipervigilância. Em vez de jogar de forma fluida, o atleta passa a monitorar monitorando o próprio desempenho”, explica o especialista.
Para Márcia Yunes, neuropsicóloga e responsável técnica da unidade da Valor do Conhecimento em Brasília, torneios curtos e intensos bloqueiam uma preparação psicológica contínua.
“Em poucos dias, o atleta pode viver euforia, crítica pública, pressão por resultado, afastamento da família, privação de sono e necessidade de recuperação física rápida”, destaca.
Ansiedade, estresse e noites mal dormidas podem comprometer atenção, tempo de ocorrência e precisão motora, fatores decisivos em jogos de alto nível. Por isso, os especialistas defendem que o suporte psicológico esteja integrado à rotina esportiva das equipes, assim como a preparação física e tática.
Além disso, casos recentes de atletas que passaram a falar abertamente sobre saúde mental ajudaram a reduzir o tabu no esporte. “Reconhecer limites não diminui o atleta; muitas vezes, permite que ele se mantenha em atividade com mais saúde e consistência”, conclui Andrade.