Relações maternas revelam como aprendizados atravessam gerações e influenciam escolhas,
identidade e trajetória
Há aprendizados que acontecem de forma quase imperceptível. Um conselho que permanece ao
longo dos anos, a maneira de lidar com desafios, a coragem de se posicionar ou de recomeçar. Entre
mães e filhas, essas trocas se constroem no cotidiano, por meio de gestos, conversas e também nos
silêncios.
Essa relação raramente é simples. Ela envolve afeto e tensão, admiração e questionamento, heranças
e transformações. É nessa complexidade que reside sua força. Ao longo da vida, mães e filhas
constroem um processo contínuo de troca, no qual ambas ensinam e aprendem, ainda que nem
sempre de forma consciente.
Em um contexto em que identidade, autonomia e pertencimento ganham espaço nas discussões
sobre o que é ser mulher, observar esse vínculo contribui para compreender origens e escolhas.
Mulheres como Maria Braz, Livia Nunes, Bárbara Brito, Ana Paula Carneiro, Ana Isabel de Carvalho
Pinto, Isabelle Drummond, Ana Paula Carneiro, Gabriela Melke, Ana Elisa Setúbal, Paula Kim,
Stephanie Wenk, Sabrina Sato, Fernanda Marques, refletem sobre o que receberam e o que
ressignificaram ao longo dessa relação, marcada por uma transmissão de experiências que não se
encerra, mas se transforma ao longo do tempo.
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Maria Braz
“Desde nova, minha mãe me mostrou que independência é algo que se constrói com educação,
consistência e verdade. Aprendi com ela que o sucesso vem do esforço diário, mas que ele só faz
sentido quando está alinhado com aquilo que te faz feliz de verdade.”
Livia Nunes
“A moda e a beleza sempre foram um território nosso, algo que construímos juntas ao longo do
tempo. Minha mãe sempre teve um olhar muito presente, me incentivando, orientando e trazendo
referências. Hoje, além desse vínculo afetivo, levo comigo os conselhos dela em cada decisão, é uma
troca constante que fortalece meu trabalho e minha forma de enxergar tudo.”
Ana Paula Carneiro
Curadora de alta joalheria e comunicadora
“Minha mãe sempre foi uma grande inspiração, o tipo de exemplo que qualquer filho gostaria de ter
dentro de casa. Sempre foi extremamente protetora e, mesmo passando por muitos desafios,
principalmente financeiros e emocionais, nunca deixou que nada faltasse para nós. . Eu cresci vendo
nela uma força impressionante, uma vontade de vencer. Ver tudo o que ela enfrentou me moldou
muito como pessoa e teve um papel fundamental em quem eu sou hoje Acho que herdei muito dela
o foco e disciplina.”
Bárbara Brito
Comunicadora e presidente do Jantar Preto
“Em nossa casa, por mais que todas sejam super estilosas e únicas, o estilo sempre esteve mais
ligado a comportamento do que tendências em si. Aprendi com elas que tem hora para tudo: looks
clássicos, looks do dia a dia, looks fabulosos, mas que as histórias refletidas por traz dessas escolhas
era sempre a mesma: mães, filhas, trabalhadoras, esposas, todas tentando viver sua melhor versão.
Hoje em dia carrego isso fortalecendo meu estilo como uma ferramenta de expressão, identidade e
pertencimento.“
Sabrina Sato
“Eu aprendi muito com a minha mãe sobre como sorrir pra vida, ser forte com leveza e ter a
capacidade de acolher o outro. Ela sempre teve isso muito presente, esse jeito de viver com afeto,
com cuidado, com generosidade. Ela é minha maior inspiração nesse sentido, e eu tento muito
replicar isso na criação da Zoe, com afeto, com diálogo, com presença. Acho que isso faz toda a
diferença.”
Gabriela Melke
Fundadora da PHOS
“Com a minha mãe, aprendi muitas coisas que nem vieram em forma de conselho. Foi mais
observando como ela lidava com a vida, com os desafios e com ela mesma. Acho que a gente vai
absorvendo isso sem perceber, e com o tempo entende o que quer carregar, o que quer fazer
diferente e o que acaba virando parte de quem a gente é. Essa troca, pra mim, é uma das coisas mais
fortes entre mãe e filha.”
Ana Elisa Setúbal
“Os conselhos mais valiosos que recebi vieram de forma sutil, quase no dia a dia, sobre confiar no
próprio olhar, ter senso crítico e não se desconectar de quem você é. Minha mãe sempre me
incentivou a pensar por conta própria, e isso acabou moldando muito da forma como me posiciono e
faço minhas escolhas hoje.”
Paula Kim
Co-fundadora da P.Andrade
“Eu cresci com muito incentivo ao meu lado criativo, com liberdade para experimentar, pintar e
testar caminhos. Ao mesmo tempo, sempre existiu uma cultura muito forte de disciplina e resiliência
dentro da minha casa, muito ligada às nossas origens coreanas, que acabou moldando também a
minha forma de trabalhar e de enxergar o que eu construo. Com o tempo, fui ressignificando essas
vivências e entendendo o quanto elas também moldaram o meu olhar. Acho que a relação entre
gerações passa muito por isso: pelo que a gente observa, absorve e, depois, transforma em algo
próprio. Hoje, como mãe, esse ciclo fica ainda mais evidente, porque você começa a pensar não só
no que recebeu, mas no que está transmitindo também.”
Stephanie Wenk
Diretora Criativa da Sauer
“Acho um tema muito bonito, porque essa troca entre mães e filhas acontece de forma muito
profunda e muitas vezes silenciosa também. Ao longo da vida, vamos herdando não só gestos e
ensinamentos, mas também sensibilidades, maneiras de olhar o mundo e até forças que só
entendemos mais tarde. E ao mesmo tempo, conforme crescemos, também ressignificamos muitas
coisas e acabamos ensinando às nossas mães novas formas de viver, pensar e sentir. Acho que existe
uma construção contínua entre duas mulheres que se transformam mutuamente ao longo da vida.”
Mônica Burgos
Sócia Fundadora da Avatim
“Não existe escolha sem consequências. Toda mãe sente culpa em algum momento e isso é normal.
Para fazer meus filhos felizes, eu precisava estar feliz comigo mesma. A realização profissional me
fortaleceu como mãe. Se eu não mostrar para os meus filhos que eu sou feliz trabalhando, vivendo,
sendo mulher, sendo o papel que eu quiser ser, que exemplo ele vai ter de mim?”
Maria Beltrão
“A minha mãe, quando eu era pequenininha, colocava filmes para eu ver. Eu já via filmes do
Hitchcock e ficava encantada com tudo: com o enquadramento, com o que era mostrado antes, com
a forma como o diretor construía o suspense. Minha infância foi regada a comédias românticas e
filmes de suspense, que minha mãe adorava, eu ficava deitada ao lado dela até tarde. E isso fica com
a gente para a vida. Por isso eu digo que não sou uma crítica de cinema, sou uma entusiasta”.
Letícia Vaz
Empresária, influenciadora e CEO da LV Holding
“Acredito muito na força do encontro entre gerações. Pensando na minha marca LV Store, eu trouxe
o olhar digital, a conexão com a comunidade e a agilidade na leitura de tendências, enquanto a
experiência da minha mãe, com todo o conhecimento técnico e de produção, deu uma base sólida
para o crescimento da marca. Para mim, inovação e estrutura caminham juntas. Essa troca contínua é
o que mantém o negócio atual, consistente e preparado para o futuro”.
Fernanda Marques
CEO Fernanda Marques Arquitetura
“Uma mulher ensina outra a olhar. Antes do conselho, antes da palavra, o que se transmite é o jeito
de prestar atenção: o que se nota, o que se cuida, o que se considera importante numa casa, numa
mesa, numa conversa.
Aprendi isso observando as mulheres da minha família muito antes de saber que aquilo era
arquitetura. Hoje, convivendo todos os dias com minhas irmãs e minhas filhas trabalhando comigo,
percebo que é exatamente isso que continua circulando entre nós. Um olhar em comum, uma forma
de ler o que está ao redor e decidir o que merece tempo.
Acho que é uma transmissão menos didática e mais sensorial. Não se ensina a ser mulher, se ensina,
sem perceber, um modo de habitar o mundo”.
Isabelle Drummond
“Muita coisa que eu sou hoje vem de um lugar muito observador. Eu sempre observei e admirei
muito a minha mãe. Não eram grandes discursos, era o jeito dela, o cuidado, a sensibilidade. Acho
que esses aprendizados mais sutis são os que ficam por mais tempo.”
Bianca Corona
“Eu acho que uma mulher ensina a outra, antes de tudo, pelo exemplo. São atitudes do dia a dia, a
forma de se posicionar, de lidar com desafios… coisas que você absorve sem nem perceber. No meu
caso, veio muito desse lugar de consistência, de entender quem você é e sustentar isso ao longo do
tempo.”
Ju Ferraz
“Eu tive na minha mãe uma troca muito viva, de conversa, de discordar, de repensar juntas. Acho que
uma mulher ensina a outra também nesse espaço de construção, não só de herança. Muito do que
eu levo hoje veio desse diálogo constante com ela.”
Esther Marques
“Ver minha mãe passando por diferentes fases e mudando ao longo do tempo me ensinou muito. Eu
cresci entendendo que a gente pode se reinventar, ajustar a rota e começar de novo. Esse olhar mais
flexível sobre a vida veio totalmente dela.”
Catarina Tourinho
“A minha mãe foi meu primeiro espelho. No começo vem muito da admiração, de querer se inspirar,
mas com o tempo isso vai se transformando e ganhando o seu próprio formato. Eu carrego muito do
que aprendi com ela, mas também ressignifico isso do meu jeito.”
Luiza Gottschalk
“Minha mãe é como uma feiticeira que guarda os saberes do inconsciente. Creio que foi dela que
herdei a habilidade de conduzir a vida de forma intuitiva, algo que também aparece na naturalidade
das minhas escolhas estéticas e na coragem de unir elementos aparentemente improváveis no
universo da moda, como o artesanato combinado à alta-costura e peças vintage atravessadas por
memórias.”
Karla Felmanas
“Minha maior inspiração sempre foi a minha mãe, principalmente na forma de se posicionar no
mundo. Ela foi uma mulher forte, segura de quem é e isso moldou muito do que me tornei hoje.
Cresci aprendendo com ela que autenticidade não é tendência, é saber quem você é e ter como seu
maior estilo pessoal sua verdade. Que estilo de verdade não é seguir regras, é vestir e ser aquilo que
somos e acreditamos. Nossas escolhas funcionam como uma extensão da nossa personalidade, não
dá pra seguir tendências só porque está na moda, precisa expressar quem somos!”