O que é acatisia, condição que levou Monica Iozzi à internação em São Paulo

. Thaíssa Pandolfi, psiquiatra especialista em neurodivergência e superdotação feminina, explica por que a acatisia pode ser confundida com ansiedade e causar sofrimento intenso

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Uma semana após ser hospitalizada na capital paulista, a atriz Monica Iozzi reapareceu nas redes sociais para tranquilizar os seguidores e detalhar o que enfrentou. Ela contou que precisou de atendimento no Hospital Israelita Albert Einstein e depois seguiu tratamento no Hospital Oswaldo Cruz por causa de uma reação medicamentosa severa chamada acatisia.

O relato trouxe visibilidade a uma condição ainda pouco conhecida fora dos consultórios. Para a psiquiatra Dra. Thaíssa Pandolfi, especialista em neurodivergência e superdotação feminina, o impacto pode ser devastador. “A acatisia é uma condição ainda pouco compreendida fora da psiquiatria, mas que pode ser extremamente angustiante para quem a vivencia. Trata-se de um efeito adverso relativamente conhecido de alguns medicamentos psiquiátricos, especialmente antipsicóticos e, em alguns casos, antidepressivos, caracterizado por uma sensação intensa de inquietação interna associada à necessidade quase irresistível de se mover”.

Segundo a médica, o sofrimento vai muito além de uma simples agitação. “Na prática clínica, pacientes descrevem a experiência como uma incapacidade de permanecer no próprio corpo. Não é apenas ansiedade ou agitação, é uma sensação corporal profunda de desconforto, frequentemente acompanhada de irritabilidade, tensão e sofrimento psíquico significativo”.

Casos que ganham projeção pública ajudam a ampliar a compreensão do quadro, que muitas vezes passa despercebido. “Um dos grandes desafios é que a acatisia pode ser confundida com ansiedade ou com agravamento do transtorno psiquiátrico original, o que, em alguns casos, leva a ajustes inadequados na medicação”.

A atenção se torna ainda mais delicada quando envolve mulheres e pessoas neurodivergentes. “Nas mulheres, especialmente aquelas com maior sensibilidade emocional ou neurodivergência, esse quadro pode ser ainda mais difícil de reconhecer, porque a inquietação interna pode ser interpretada como desregulação emocional ou crise de ansiedade”.

Para a especialista, o caminho é a escuta atenta e individualizada. “Reconhecer precocemente a acatisia permite ajustar o tratamento e aliviar um sofrimento que, embora muitas vezes invisível para quem observa de fora, pode ser profundamente perturbador para quem o vive”.