Aos 56 anos, a apresentadora Luciana Gimenez chamou atenção ao refletir sobre a forma como o envelhecimento vem sendo encarado atualmente. Em entrevista recente, ela afirmou que a necessidade constante de parecer jovem “preocupa”, especialmente ao observar pessoas cada vez mais novas recorrendo a procedimentos estéticos de forma frequente. A fala expõe um comportamento que deixou de ser pontual e passou a fazer parte da rotina de muitas mulheres. Termos como “baby botox” e “banco de colágeno” passaram a circular entre pacientes na faixa dos 20 e 30 anos, levantando uma questão central: até que ponto a prevenção é cuidado, e quando passa a ser excesso?
Para entender esse movimento, a Nívea Bordin Chacur, CEO do Grupo Leger, explica que a busca precoce por procedimentos está ligada a uma mudança de mentalidade. “O baby botox é feito com doses menores para evitar que as linhas se aprofundem com o tempo. Já o banco de colágeno utiliza bioestimuladores para preservar a qualidade da pele antes da perda natural se intensificar”, afirma. Segundo ela, esses procedimentos atraem pacientes mais jovens porque não promovem transformação, mas manutenção. “É uma geração que não quer mudar o rosto, quer manter. Existe uma preocupação em chegar ao futuro com a pele mais preservada”, diz.
A profissional destaca que esse comportamento não se limita a esses dois procedimentos. “Hoje também vemos procura por skinboosters, lasers e tecnologias de estímulo de colágeno, além de ultrassom microfocado, que melhoram textura e qualidade da pele sem alterar traços”, explica. Para Nívea, a principal mudança está na lógica do cuidado. “Antes, a paciente esperava o sinal aparecer. Hoje, ela tenta antecipar esse processo”, afirma.
Apesar disso, essa antecipação não é consenso entre especialistas. A dermatologista Gina Matzenbacher, da Harmonize Gold, explica que existe, sim, um momento mais adequado para iniciar esse tipo de cuidado. “No caso dos bioestimuladores de colágeno, que muitas vezes são associados ao chamado banco de colágeno, a indicação costuma fazer mais sentido a partir do final dos 20 anos ou início dos 30, quando a produção natural começa a cair de forma mais significativa”, afirma.
Segundo ela, iniciar antes disso raramente é necessário. “Em pacientes muito jovens, normalmente ainda não há indicação clínica. Antes dessa fase, fatores como proteção solar, alimentação equilibrada e uma boa rotina de skincare têm um impacto muito mais relevante do que qualquer procedimento”, explica.
Para a médica, o erro está na antecipação sem critério. “O banco de colágeno pode ser uma estratégia interessante, mas precisa ser feito no momento certo. Quando bem indicado, ele atua na manutenção. Quando feito cedo demais, pode ser apenas um excesso”, diz.
“Não existe uma idade exata para todo mundo, mas existe um tempo biológico que precisa ser respeitado. O mais importante é avaliar cada caso e não tratar prevenção como obrigação”, conclui.