Itamar Vieira Junior e Renato Noguera refletem sobre amor, ancestralidade e criação no novo episódio de ‘Espelho – 20 Anos Depois’Programa inédito vai ao ar no dia 10 de abril, sexta-feira, às 22h, e reúne o escritor e o filósofo em conversa com Lázaro Ramos
Lázaro Ramos, Renato Noguera e Itamar Vieira Junior. Crédito: Ana Paula AmorimFOTOS PARA IMPRENSAO programa ‘Espelho – 20 Anos Depois’, dirigido e apresentado por Lázaro Ramos, exibe um episódio inédito no dia 10 de abril, sexta-feira, às 22h. Na conversa, Lázaro recebe o escritor Itamar Vieira Junior e o filósofo Renato Noguera para um encontro que atravessa literatura, amor, ancestralidade, juventude e as marcas da violência na formação do Brasil. Ao longo do episódio, os convidados também revisitam suas trajetórias pessoais e profissionais, comentam os caminhos que os levaram até aqui e compartilham reflexões sobre criação, escuta e transformação.
Logo no início, os três partem da proposta da temporada, que revisita o tempo e os 20 anos do programa. Ao se lembrar de onde estava duas décadas atrás, Itamar volta ao momento em que se formava e ingressava no serviço público. “Fui trabalhar no INCRA. Foi um trabalho que me proporcionou tanta coisa. Me mandou para o interior da Bahia, do Maranhão, e eu conheci esse país em profundidade. Acho que minha vida deu uma virada ali, porque me colocou em contato com tanta coisa sobre o Brasil”, afirma.
Renato, por sua vez, relembra uma experiência decisiva desse período: um retiro de meditação em silêncio. “Fiquei dez dias em silêncio e passei a virada do meu aniversário de 32 para 33 anos nesse mergulho. Isso me fez ter outras respostas e, principalmente, mais perguntas. Mudou minha vida. Foi um impacto muito grande, um mergulho na minha geografia”, diz.
Ao falar sobre o romance ‘Torto Arado’, o escritor destaca que a história brasileira é atravessada pela violência e que esse é um tema com o qual o país precisa lidar cotidianamente. “Eu queria representar, através da vida daquela família e daquelas duas irmãs, um pouco da história brasileira e da nossa trajetória. O Brasil foi forjado a partir de uma violência, desse projeto colonial que introduziu uma maneira de explorar o mundo e as pessoas e que ainda está entre nós, no racismo, na escravidão e em tantas outras formas de opressão”, afirma Itamar.
O escritor comenta ainda o rigor do seu processo criativo, que compara a um trabalho de escultura. “Sinto como se estivesse diante de uma escultura que precisa ser lapidada até ganhar a forma necessária. ‘Torto Arado’, por exemplo, eu revisei umas doze vezes antes de ser publicado”, conta. Para Itamar, escrever é também uma forma de expandir a experiência humana: “O que me move a ler um livro é perceber que minha vida é pequena e que ela pode ser muitas coisas enquanto eu leio uma história. E escrever, para mim, é uma outra fase da leitura”.
Renato, por sua vez, fala sobre os caminhos que o levaram da literatura infantil aos ensaios sobre afeto e filosofia. Ele conta que ‘Nana & Nilo’ nasceu da vontade de contar histórias para a filha a partir de referências negras e territórios africanos. Mais tarde, passou a alcançar um público mais amplo com livros voltados para o amor, como ‘Por que amamos?’, tema que reaparece na conversa com Lázaro: “Amor é uma necessidade. Sem amor, não tem como a gente se manter vivo”, afirma. Ao mesmo tempo, ele rejeita idealizações: “O amor não é uma varinha encantada. Ele é uma possibilidade que potencializa nossa relação conosco e com o outro, mas é um exercício cotidiano, que exige autoconhecimento”.
O episódio também abre espaço para uma reflexão sobre juventude e ancestralidade. Renato observa que, em algumas culturas africanas, a ancestralidade é entendida como uma presença à qual se pode recorrer em momentos de dúvida, e afirma que “uma pessoa que acha que sozinha tem resposta para todos os seus dramas vai sofrer muito”.
 Já Itamar vê a juventude contemporânea como um campo fértil de invenção e potência. “A nossa juventude vive um momento de grande criatividade. Tem muita coisa acontecendo”, afirma. Para ele, os adultos ainda falham em escutar de fato o que os jovens estão formulando no presente: “A gente costuma desdenhar dos gostos dos jovens, dos adolescentes. A gente não para para escutar, mas eu vejo um caldeirão de criatividade”. Itamar conclui dizendo que o desafio está também em reconhecer os próprios limites diante do novo: “A gente tem hoje a possibilidade de fazer uma leitura crítica do todo e até de reconhecer que ainda não tem linguagem para compreender plenamente o jovem de agora”.
Ao final da conversa, Lázaro pergunta aos convidados sobre conquistas e caminhos percorridos. Itamar comenta o alcance de ‘Torto Arado’, publicado em mais de 30 países, e fala sobre a possibilidade de hoje se dedicar com mais liberdade à escrita. “Tudo isso me revelou que eu poderia, sim, fazer dessa veia criativa algo a ser cultivado, algo que sempre pulsou aqui dentro. Tenho vivido coisas maravilhosas e, se o futuro permanecer assim, acho que já está bom”, afirma. 
Renato, por sua vez, destaca sua trajetória de pesquisa em filosofia africana e o interesse pelos afetos, além da atuação como celebrante de casamentos. “Tenho ficado muito satisfeito em saber que posso contribuir com debates sobre autoconhecimento, autointimidade, masculinidade, racismo afetivo e dificuldades do nosso cotidiano”, diz. 
Espelho – 20 Anos Depois (12×25’) – InéditoHorário: Sexta, dia 10/04, às 22h Alternativos: Domingo, 12/04, às 10h30; terça-feira, 14/04, às 14h30; quarta-feira, 15/04, às 19hEpisódio: Renato Noguera e Itamar Vieira Junior – Temp. 16 Ep. 11Direção: Lázaro RamosClassificação: LivreSinopse: Lázaro Ramos recebe Renato Noguera e Itamar Vieira Junior. Os escritores comentam sobre algumas de suas obras mais marcantes e debatem temas como o amor, a ancestralidade e a juventude.